A Florença de COSTANZA PASCOLATO
Maior ícone da moda brasileira, ela traz seu DNA italiano mais vivo do que nunca, ainda mais quando o assunto é viagem: Florença, a mais bela da Toscana, será sempre a cidade escolhida, destino elegante e excitante, rota do coração.
Costanza em visita ao Palazzo Pitti
O que dizer do rio que vai ganhando as cores do céu, a cada vez que o sol desce, ou desaparece, e as luzes da cidade medieval se multiplicam nas águas? Costanza adora, ficar horas, só observando a movimentação do Arno. “Porque o rio tem humores”, ela garante, “e depois do inverno nas montanhas pode ficar um pouco mais agitado... De toda forma é sempre um espetáculo assistir, o que acontece nas margens e também dentro do rio. No fim de tarde, por exemplo, lindo ver os barcos de remo, que começam a deslizar pelas águas até o anoitecer”.
A diva da moda brasileira nasceu em Siena, também localizada na região da Toscana, mas é para Florença que segue todos os anos, às vezes passando dois meses direto, outras visitando a cidade em maio e setembro. Seus avós moravam em Veneza, na Cortina D´Ampezzo, e costumavam viajar nos fins de semana para a casa de campo, a 30 minutos de Florença. Sua mãe, Gabriela Pascolato, estudou no Pioggio Imperiale, onde seus netos, Cosimo e Allegra, também estudaram há alguns anos. É longa, profunda e afetuosa a relação da família com Florença.
Seus pais vieram para o Brasil logo depois da Segunda Guerra, quando Costanza tinha seis anos de idade. Desde então ela mora em São Paulo, mas voltando para temporadas na Itália sempre que pode. A deusa já trabalhou muito, e ainda trabalha – atualmente em sua coleção de óculos, sempre escrevendo a coluna para Vogue, viajando para assistir desfiles, no Brasil e fora dele. Aos 85 anos, lúcida e ativa como ninguém, ela segue cidadã do mundo – mas se o assunto é lazer, nem pestanejar, Florença é a cidade escolhida.
– Entre os 15 e os 22 anos, viajei muito com meus pais para lá, período em que decidi aprender mais sobre a cidade, passando a estudar a história da família Medici e a me familiarizar com a arte de Florença.
A família Medici foi uma das dinastias mais influentes e poderosas da história da Itália, especialmente durante o Renascimento. Originária de Florença, os Medici ascenderam ao poder no século XIV e mantiveram sua influência até o século XVIII. Por mais de 300 anos, os Medici apoiaram os artistas e arquitetos que construíram os prédios e monumentos magníficos que até hoje atraem milhares de turistas para a cidade.
Os palazzos florentinos daquela época guardam acervos impressionantes e hoje oferecem programações culturais muito originais. Nas suas temporadas na cidade, sozinha ou com a filha Consuelo Blocker, que há 30 anos mora em Florença, Costanza procura acompanhar seminários e exposições que se renovam nos vários museus:
– Você pode participar de uma aula sobre o Renascimento no mesmo palazzo em que, na fachada, de noite fazem projeções artísticas super contemporâneas. É o caso, por exemplo, do Palazzo Strozzi, hoje dirigido por um americano, e também do Uffizi, agora sob o comando de um diretor alemão, que organizou uma nova divisão daquelas obras extraordinárias.
No final do ano passado, quando chegou em Florença em outubro e ficou até depois do Reveillon, Costanza visitou várias mostras, passeou muito pela Via Tornabuoni, a avenida que mais concentra grifes de luxo na cidade – e também circulou pelas ruelas estreitas, medievais, onde adora procurar novidades do artesanato florentino.
– Nessas andanças a pé descobri uma série de lojinhas, várias especializadas nos friulanes, os sapatos de tecido super confortáveis que uso muito, feitos de borracha e cobertos por veludo. Também adoro pesquisar as lojas de artesanato, uma especialidade de Florença. As marcas de luxo compraram várias dessas confecções, que dominam o trabalho com o couro. Se você souber olhar bem, pode encontrar em alguma dessas lojinhas sapatos e bolsas deslumbrantes.
Costanza e sua filha Consuelo usando os friulanes comprados em Florença
Os primeiros desfiles de moda na Itália começaram nos anos 1950 em Florença, no Pallazo Pitti, uma das construções também erguidas no período dos Medici. A moda de alta costura acabou se estabelecendo em Roma, com escolas de formação na capital italiana, e em Milão se concentraram os desfiles de marcas do pret-a-porter. Hoje só a Feira Picci Uomo movimenta o calendário dos desfiles em Florença.
– É uma das cidades mais elegantes do mundo, sobretudo no que se refere à arquitetura, às artes, ao cultivo da beleza. Mas hoje o florentino se veste de forma muito casual. Gosta de descombinar, usa uma calça de veludo com casaco de tweed, ama a vida no campo. No dia a dia, as florentinas não costumam usar maquiagem nem andar com o cabelo sempre arrumado, por exemplo. Acho que é uma espécie de esnobismo contemporâneo, não se importar com a roupa da moda, um anti-fashionismo que se expressa com a maior naturalidade do mundo.
Ela, não. Continua impecável do café da manhã no hotel aos passeios pela cidade no final da tarde. Na temporada florentina do final do ano passado, Costanza adorou visitar o Uffizi à noite – quando é possível agendar visitas especiais para grupos pequenos de 10 a 12 pessoas:
– Ficar olhando para Boticelli, só você e alguns amigos? Sim, é possível. Muita gente não sabe ainda que esse é um programão, em qualquer época do ano. Depois da visita ao Uffizi, você pode seguir pelo Corredor Vasari, um corredor interno, por cima dos pátios, atravessar o Palazzo Vechio e sair lá do outro lado do rio, já dentro dos jardins magníficos de Boboli.
Outro programa delícia são as aulas de gastronomia. A cidade oferece algumas alternativas e Consuelo logo agendou uma aula para a mãe e alguns amigos em um antiquário, cujo pavimento superior foi transformado em uma linda cozinha. Nas suas andanças pela cidade, Costanza costuma preferir restaurantes em que encontra simplicidade aliada à delicadeza:
– Gosto muito do maitre do Caffe de l´Ore, ele sabe misturar a comida típica florentina com o jeito delicado de se preparar comida asiática. Assim a sopa de pão, a sopa de tomate, a bisteca florentina, por exemplo, ganham leveza inesperada. Esse tipo de combinação, em que você encontra o equilíbrio, na maneira de vestir ou de se preparar um prato, é o que mais me interessa.
Deep Chic
L'Angolo del Mare
Este é outro restaurante de que gosto muito!
Super qualidade e não é metido!
Precisa reservar com
muita antecedência
porque é pequeno!
www.langolodelmare.com